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Por que as Mulheres Têm Maior Dificuldade na Realização do Teste de Flexão na Barra Fixa?

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Por que as Mulheres Têm Maior Dificuldade na Realização do Teste de Flexão na Barra Fixa?


Existem diferenças marcantes entre os sexos nos aspectos fisiológicos que devem ser levadas em consideração tanto no treinamento físico quanto na avaliação em testes de aptidão física (TAF).
No teste físico da PCDF (2015) é cobrada a flexão dinâmica igualmente aos sexos masculino e feminino, mesmo que em menor número de repetições.
Mas será essa a proporcionalidade correta?
Antes de tudo, a banca examinadora baseou-se em quais dados para arbitrar essa quantidade? Qual foi o teste estatístico utilizado para se cobra uma repetição dinâmica?
Em que estudos científicos realizados com homens e mulheres foram a referência para a adoção de execução de 1 barra dinâmica pelas mulheres?
O critério de padrão arbitrário para testes físicos não parecem ser a melhor estratégia.

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FORÇA E HIPERTROFIA MUSCULARES

As diferenças de força entre homens e mulheres devem ser examinadas do ponto de vista da força absoluta; força em relação ao tamanho e à composição do corpo; e a força em relação ao volume muscular.

Estudos publicados em renomadas revistas e jornais científicos mostram que a força muscular total máxima da mulher média é de 63,5% da força do homem médio. A força isométrica da parte superior do corpo das mulheres é de 55,8% da força dos homens. A força isométrica da parte inferior do corpo das mulheres é em média 71,9% da força dos homens (LAUBACH). Ou seja, a força da parte inferior do corpo das mulheres se aproxima mais as dos homens. No entanto, em relação à parte superior do corpo, a força das mulheres essa relação é bem menor (MILLER).

Conforme pode ser observado pelo gráfico abaixo, a força muscular absoluta da parte superior do corpo das mulheres é bem menor do que a dos homens (FOX, BOWER & FOSS).

Nesse gráfico, as diferenças são enunciadas em termos de uma relação de força, isto é, a força absoluta da mulher foi dividida pela força absoluta do homem (relação inferior a 1 significa que os homens são mais fortes). Na mulher, a força muscular geral equivale aproximadamente a dois terços da do homem. Entretanto, convém observar que as diferenças de força variam entre os diferentes grupos musculares (parte superior e inferior).

Por exemplo, em comparação com os homens, as mulheres são muito mais fracas no tórax (peitoral e costas), nos braços e ombros e mais fortes nas pernas (FOX, BOWER & FOSS). Muito provavelmente, isto se relaciona ao fato de ambos os sexos utilizarem suas pernas em grau semelhante, como, por exemplo, ao ficar de pé, andar, correr, subir escadas e pedalar. Por outro lado, as mulheres tem menor oportunidade de utilizar músculos de suas extremidades superiores do que os homens. Cabe ressaltar que a musculatura envolvida no teste físico da barra é localizada na parte superior do corpo (costas, ombro e braços).

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Em termos numéricos para bem representar essa diferença da força na parte superior do corpo, em um estudo feito por MAUGHAN, os resultados mostraram que para a flexão dos cotovelos, a força da mulher foi cerca de 46% da força dos homens. Já para WILMORE, as mulheres apresentaram cerca de 37% da força dos homens no exercício de supino.

Outro estudo comparando a força de preensão manual de homens sedentários em relação a mulheres atletas de elite revelou ainda uma força muscular maior em favor dos homens que não praticavam nenhum treinamento de força (LEYK) em comparação à mulheres de elite esportiva.

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Também para elucidar a enorme diferença de força entre os sexos, em geral, as mulheres têm tamanho e número menor de fibras musculares em relação aos homens (RYUSHI). As fibras tipo I (responsáveis pela produção de força) são cerca de 68% das de um homem, além de menor recrutamento de unidades motoras responsáveis pela contração muscular (DRINKWATER), fatores limitantes ao desempenho menor das mulheres em exercícios de força muscular.

A grande variação da força entre homens e mulheres pode ser confirmada também em relação ao peso relativo (peso do corpo). Mesmo tendo peso corporal menor, as mulheres apresentam muito menor força relativa do que homens (FLECK & KRAEMER). Ou seja, mesmo sendo mais leves, os autores demonstraram que as mulheres tem força relativa menor, o que não justifica a cobrança uma execução de forma dinâmica na barra ao se argumentar que elas são mais leves.

E estudos longitudinais também mostraram que o aumento do músculo treinado em mulheres é muito pequeno, mesmo com treinamento igual ao realizado por homens. Estudos com a duração de 10 semanas (WILMORE); 12 semanas (BOYER) ou até mesmo 20 semanas (STARON) mostraram que o aumento da muscular em mulheres é insignificante.

Além de tudo isso, mulheres que mesmo desejando alcançar o índice mínimo para o teste físico na barra dinâmica são sujeitas a maiores lesões nessa parte do corpo. Estudos mostram que pelo fato de terem menor força na parte superior do corpo, as mulheres estão mais sujeitas as lesões e consequentemente, sujeitas à interrupção do treinamento (FLECK & KRAEMER).

A atividade enzimática também é outro fator limitante nas mulheres. Uma enzima importantíssima para produção de força, a atividade da creatina-kinase é bem menor nas mulheres, conforme demonstrado por BORGES & GUSTAVSSON.

COMPOSIÇÃO CORPORAL

Outra considerável diferença entre os gêneros é a presença do gordura tanto no corpo como dentro do próprio músculo.

As mulheres apresentam maior quantidade de gordura corporal dando incontestável maior sobrecarga aos músculos para a subida do corpo no teste físico dinâmico na barra fixa.
As mulheres apresentam cerca de 2 vezes em média mais gorduras que os homens (25% versus 12,5%) (SHARKEY). Essa maior quantidade de gordura é natural a elas, uma vez que as mesmas precisam tê-la em maior quantidade para diversas finalidades fisiológicas.

Na história da evolução humana, as mulheres têm seus corpos preparados para transportar uma criança e para seu nascimento, e tem os quadris mais largos para manter gordura extra para a gravidez. Homens, livres das exigências do parto, têm o benefício de serem tão fortes e ágeis quanto possível, pois precisavam ir em busca de alimento e competir por ele com outros homens.

Dessa forma, é nítido que o excesso de gordura corporal inerente às mulheres limita consideravelmente o desempenho em exercícios que exigem o deslocamento do corpo, como por exemplo, a subida no teste de barra fixa.

Elaine Neal strains to keep her chin above the bar in a flexed arm hang during a Marine Corps Initial Strength Test at the recruiting sub-station off Pine Ridge Road in Naples on June 3, 2009. The minimum for a female Marine in the flexed arm hang is 15 seconds, but Neal finished with a personal best of 70 seconds. Neal said that for a lot of activities she generally loses interest after time and ends up quitting, but the choice to be in the Marines is different. "That's another reason why I really like [the Marines], because I'm trying my best on something," Neal said. Greg Kahn/Staff

HORMÔNIOS

Além disso, há também a diferença em relação aos hormônios produzidos para o desenvolvimento de músculos e posterior ganho de força. Os homens têm cerca de 10 vezes os valores de testosterona dos valores das mulheres (WRIGHT).

A testosterona é um esteroide anabólico (indutor de crescimento) que ajuda os músculos a ficarem mais fortes. As diferenças relacionadas na resposta hormonal ao treinamento de força, como a testosterona aumentada e cortisol reduzido para os homens podem determinar todas as diferenças sexuais definitivas no tamanho dos músculos e nas adaptações de força observadas com um treinamento de longo prazo.

E ainda, a testosterona pode induzir ao individuo em treinamento a maior agressividade e consequentemente aumentando a vontade de treinar mais pesado (SHARKEY).
Mesmo com treinamento árduo de treinamento de força, as mulheres continuam com níveis baixíssimos de testosterona no corpo, impedindo o aumento da massa muscular, conforme um estudo publicado por HETRICK & WILMORE. Outro estudo bastante interessante mostrou que os níveis de testosterona não se alteraram em uma sessão de treinamento de força, enquanto os níveis de testosterona nos homens aumentaram significativamente (KRAEMER).
Não obstante, outros hormônios com alta influencia fisiológica na formação de novos músculos são menores nas mulheres, como o hormônio do crescimento.

Além disso, estudos mostram que o ciclo menstrual pode alterar fatores hormonais que prejudicam o ganho de força nas mulheres pela desregulação neuroendócrina.
As disfunções menstruais, particularmente a amenorreia (ausência de menstruação), oligomenorreia (menstruação com frequência anormal) e dismenorreia (Menstruação dolorosa, cólicas menstruais severas). As possíveis causas dessas alterações incluem exercício físico em excesso, estresse físico ou psicológico, tumores e problemas hormonais. Essas alterações menstruais podem acontecer em mulheres que se exercitam muito, pela liberação de prolactina que leva a anovulação e ao hipoestrogenismo (SÁ).
Devido às complicadas interações hormonais associadas ao treinamento de força intenso, o desequilíbrio hormonal das mulheres parece se um fator determinante na diminuída obtenção de força (FLECK & KRAMER).

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CONCLUSÃO

Diante da menor força da parte superior das mulheres (cerca de 37% a 50%); o dobro de gordura corporal (maior peso corporal para subir) e a dificuldade de gerar novas células musculares pela limitações hormonais parece ser desproporcional a cobrança da execução de 1 repetição completa no teste de barra fixa para o sexo feminino, mesmo em quantidade menor.

Para corroborar com essa discrepante diferença de força muscular entre os sexos, é visto que na esmagadora maioria dos concursos públicos que exigem o teste de avaliação física para mulheres, ou inexiste a cobrança da flexão na barra fixa ou caso exista a cobrança, ela de forma acertada e razoável exige APENAS a suspensão do corpo na parte superior ou inferior da barra fixa, conforme a foto acima.

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